sábado, 7 de maio de 2011

A PEDAGOGIA DO FAZ-DE-CONTA: O CÂNCER DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Primeiramente, gostaria de explicar o que seria a pedagogia do faz-de-conta.  Ela nada mais é do que chamamos de Pedagogia Inclusiva, que visa democratizar o processo educacional e inserir alunos que possuem uma extrema dificuldade na absorção dos conteúdos dentro de uma metodologia que demagogicamente responde os anseios políticos e sociais, mas que nivela por baixo a qualidade do currículo. Vejo que esse é um erro gravíssimo. Quando percebo que na modalidade de Educação de Jovens e Adultos chegam alunos que foram aprovados na fase elementar sem um mínimo básico de preparo para saber as operações matemáticas, entender a gramática, conhecer o universo científico e ter a consciência política e cidadã que um bom curso de Estudos Sociais proporciona, percebo um faz-de-conta vergonhoso e hipócrita acerca da filosofia de que devemos apenas “acompanhar” esses alunos, sem utilizar mecanismos simples de avaliação, ou seja, o mínimo para que possamos transformar um pouco a realidade desses humildes alunos. A ideia de democratizar a educação enxerga apenas o problema pelo viés social, mas se esquece de enxerga-lo pelo viés cultural. Essa postura mostrará no futuro, para o aluno “beneficiado”, que o mesmo foi enganado. Enganado pelo Estado, que não dá um mínimo de estrutura real para que os profissionais da educação possam construir um projeto mais audacioso e eficaz no tocante à formação da cidadania para o corpo discente, e que passa pela qualidade dos conteúdos e dos aparelhos auxiliadores do processo educacional. Enganado por alguns “profissionais” que, mesmo sem a ajuda eficaz do Estado, não aproveitam aquilo que ele possui e o Estado não é responsável diretamente, que é a sua formação acadêmica e os valores éticos da profissão como o entendimento de que o mestre é peça fundamental no processo de melhora socioeconômica dos indivíduos e aí a sua consequente consciência de que não deve enganar o aluno com avaliações vazias, sem objetivo pedagógico, criadas apenas para “acompanhar” e passar o aluno, sem ter uma preocupação real se esse aluno irá se tornar melhor dali pra frente e tendo uma consciência íntima de que fez um trabalho sujo, aprovando injustamente aquele aluno, somente para contribuir nas estatísticas oficiais. Sem falar, na verdadeira sacanagem que se apresenta para os melhores alunos, também nas turmas regulares, quando nivelamos o grau dos conteúdos curriculares por baixo, prejudicando estes que poderiam ser tornar cidadãos brilhantes no futuro e que se veem presos por um “professor” que comete esse crime pedagógico somente para “ajudar” os menos privilegiados intelectualmente. Muitos futuros médicos, advogados, historiadores, sociólogos, engenheiros e etecetera estarão sendo abreviados pela postura irresponsável desse educador.
Não estou falando aqui dos bons profissionais que, mesmo com um salário defasado, injusto e humilhante, cumprem com a sua obrigação de educadores. Esses, mesmo reconhecendo o espaço heterogêneo que a sala de aula apresenta (com alunos bons e excelentes; alunos regulares; alunos com muita dificuldade, mas dedicados e alunos irresponsáveis, sem compromisso e sem base estrutural extraclasse) praticam uma adaptação dessa realidade de maneira honesta dentro dos valores pedagógicos, criando variados instrumentos de avaliação, muitos deles inovadores, mas entendendo que não pode subestimar a capacidade crítica e analítica dos alunos, mesmo daqueles que apresentam deficiência de aprendizagem, pois esse professor, consciente da sua função, sabe que o aluno iludido pela pedagogia do faz-de-conta, que se apresenta como “inclusiva”, na verdade irá excluí-lo no futuro, quando o mesmo ver que foi enganado pelos seus pseudo-professores e que se transformou num excluído social. Excluído não só pelo aspecto aquisitivo ou econômico, mas também pelo aspecto intelectual, onde o mesmo irá ser ultrapassado pelos bem nascidos ou por colegas que também passaram pelo ensino público, mas que outrora tiveram professores sérios, humanos e realistas de que precisavam dar o máximo do seu conhecimento para esses alunos e que, por isso, se não criaram um cidadão que pudesse competir em pé de igualdade com os oriundos da elite, pelo menos, deram a estes, mecanismos eficientes e seguros de defesa no plano cultural, intelectual e educativo.
Concluindo, me dói ver colegas brincando na sala de aula, desinformando ao invés de formar cidadãos. Inventar avaliações, aprovar demasiadamente sem critérios pedagógicos e fazer média com diretores, são medidas que irão contribuir para que os alunos marginalizados na acepção social da palavra, continuem marginalizados no futuro, onde irão provar do veneno da competição desleal e da letargia cultural frente a uma concorrência cada vez mais selvagem e preparada. Antes de fazer demagogia social, devemos nos preocupar em formar cidadãos mais críticos, analíticos e conscientes, privilegiando a formação cultural dos mesmos em detrimento de um discurso social mesquinho que irá tratar de excluir, mais cedo, ou mais tarde, este aluno beneficiário da tal “Pedagogia Inclusiva”, verdadeira enganadora do processo educacional, ou melhor dizendo, a neoplasia do conhecimento, o carcinoma do intelecto.
No tocante à minha postura na sala de aula, trato da mesma maneira, os bons e maus alunos e procuro criar mecanismos diferentes de avaliação, respeitando a capacidade intelectual de cada um, mas sem tirar um mínimo de conteúdo qualitativo no tocante ao conhecimento, para os alunos menos privilegiados. Quero que os mesmos não sejam excluídos no futuro. Se for uma utopia achar que terão o nível de formação dos alunos elitizados, que pelo menos eles tenham aparelhos de autodefesa, tão básicos, como a noção do questionamento social, da importância da leitura e da cobrança frente aos órgãos oficiais sobre os seus direitos.

RICO GUIMARÃES


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